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A corrida por terras agrícolas no Brasil em 2025: o que os dados revelam sobre valor, risco e produtividade.

O mercado de terras agrícolas no Brasil viveu, em 2025, um dos momentos mais dinâmicos da última década. O aumento expressivo na procura por propriedades rurais evidencia uma mudança estrutural na forma como a terra é percebida: não apenas como meio de produção, mas como ativo econômico, financeiro e estratégico dentro do agronegócio.


Terras agrícolas. Fonte: banco de imagens da wix.
Terras agrícolas. Fonte: banco de imagens da wix.

Esse movimento ocorre em um cenário de maior seletividade. Compradores e investidores estão menos orientados pela simples expansão territorial e mais atentos a fatores como potencial produtivo, liquidez, risco operacional e capacidade de valorização no médio e longo prazo. A análise dos dados disponíveis mostra que a demanda se concentra em regiões específicas e segue padrões bastante claros.


Concentração regional da demanda por terras agrícolas em 2025

Os dados de 2025 indicam uma concentração considerável da procura por terras agrícolas em poucas regiões do país, com forte predominância do Centro-Oeste. O Mato Grosso se destaca ao reunir o maior número de municípios entre os mais procurados por compradores de terras rurais no Brasil, ocupando diversas posições no ranking nacional de buscas, mesmo apresentando um dos valores médios mais baixos por hectare: R$ 15.247,19, segundo o Índice Chãozão Valor do Hectare (ICVH).


Cerca de metade dos municípios mais demandados está localizada no Centro-Oeste, considerando Mato Grosso, Goiás e Tocantins. Essa concentração revela que o interesse do mercado está direcionado a áreas que combinam escala territorial, aptidão agrícola e potencial de valorização.


Municípios de estados como São Paulo, Minas Gerais, Pará e Tocantins também aparecem entre os mais buscados, porém inseridos em lógicas distintas de precificação e demanda.

Em São Paulo, o valor médio por hectare figura entre os mais elevados do país (R$ 176.045,14), influenciado por infraestrutura consolidada, logística avançada, proximidade com grandes centros urbanos e pressão imobiliária. Ainda assim, a presença de municípios paulistas no ranking indica que, mesmo com preços mais altos, há demanda ativa por terras agrícolas consideradas estratégicas.


Já em estados como Tocantins e Pará, que apresentam valores médios por hectare significativamente mais baixos — como São Félix do Araguaia (R$ 14.226,80), Confresa (R$ 23.012,31) e Taipas do Tocantins (R$ 11.555,42) — o interesse está mais associado ao potencial de valorização futura. Esse contraste reforça um ponto central do mercado atual: preço e procura não caminham necessariamente juntos.


Outro indicador relevante é o volume financeiro do mercado de terras agrícolas. Em 2025, as propriedades rurais anunciadas somam aproximadamente R$ 500 bilhões em valor total. Além disso, a troca de informações entre compradores e vendedores cresceu de forma expressiva, com aumento de cerca de 1.500% no número de contatos realizados, sinalizando maior liquidez e dinamismo nas negociações.


Esses números evidenciam um mercado mais profissionalizado, no qual a terra agrícola passa a ser avaliada não apenas pelo preço imediato, mas principalmente pelo potencial produtivo, pela capacidade de intensificação e pela perspectiva de valorização no médio e longo prazo.


Terra agrícola como ativo econômico e financeiro

O comportamento observado em 2025 reforça uma tendência estrutural: a incorporação da terra agrícola às estratégias patrimoniais. Seja para produtores que buscam expansão, seja para investidores com perfil mais financeiro, o solo produtivo passa a cumprir múltiplas funções, como geração de renda, proteção contra a inflação, reserva de valor e diversificação de portfólio.


Nesse contexto, regiões com histórico de produtividade e margem para evolução técnica tendem a ser mais valorizadas. A terra deixa de ser analisada apenas pela localização geográfica e passa a ser avaliada sob critérios semelhantes aos de outros ativos econômicos: risco, retorno esperado, custo de entrada e potencial de crescimento.


Essa mudança de mentalidade ajuda a explicar por que áreas com maior possibilidade de intensificação produtiva despertam mais interesse do que propriedades já totalmente precificadas.


Histórico de uso do solo e percepção de risco

À medida que o mercado de terras se torna mais sofisticado, o histórico de uso do solo passa a influenciar diretamente a formação de preços. Propriedades semelhantes em área e localização podem apresentar valores distintos conforme a forma como foram manejadas ao longo do tempo.


Terras com histórico de degradação, manejo inadequado ou baixa eficiência produtiva tendem a exigir investimentos corretivos mais elevados e apresentam maior risco operacional. Em contrapartida, áreas conduzidas com planejamento técnico consistente oferecem maior previsibilidade de resultados, o que se reflete tanto na liquidez quanto na valorização do ativo.


Manejo do solo como fator estratégico de valorização da terra agrícola

Com um mercado cada vez mais seletivo e orientado por retorno econômico, o manejo do solo deixa de ser apenas uma decisão operacional e passa a integrar a lógica financeira da propriedade rural.


Solos bem manejados apresentam maior estabilidade produtiva, menor sensibilidade a eventos climáticos extremos, melhor aproveitamento de insumos e menor necessidade de intervenções corretivas ao longo do tempo. Esses fatores reduzem custos operacionais e aumentam a previsibilidade de resultados, atributos cada vez mais valorizados por compradores e investidores.


Nesse cenário, estratégias voltadas à conservação, estruturação e nutrição de solo ganham protagonismo. A cobertura de solo é uma das principais ferramentas nesse processo, pois contribui diretamente para a preservação da qualidade física, química e biológica das áreas agrícolas. Ao manter o solo protegido, reduzem-se processos erosivos, melhora-se a infiltração de água e favorece-se a ciclagem de nutrientes.


O uso de forrageira como cobertura tem se consolidado especialmente em regiões de clima mais intenso, como o Centro-Oeste. Além de proteger o solo, essas espécies contribuem para o aumento da matéria orgânica, a melhoria da estrutura do perfil e o estímulo à atividade biológica. Do ponto de vista econômico, áreas que adotam cobertura bem manejada tendem a manter produtividade mais estável ao longo dos ciclos, impactando positivamente a percepção de qualidade e o valor da terra.


Nesse mesmo contexto, a escolha da semente de pastagem exerce influência direta sobre o desempenho de áreas destinadas à pecuária ou a sistemas integrados. Sementes de baixa qualidade comprometem o estabelecimento da pastagem, geram falhas no campo e elevam custos de reimplantação. Quando a escolha da semente é associada a um planejamento consistente de nutrição de solo, os efeitos se refletem em melhor desenvolvimento radicular, maior eficiência no uso de nutrientes, maior longevidade das áreas produtivas e redução de custos corretivos no futuro.


Esses fatores não impactam apenas o resultado de uma safra específica, mas constroem um histórico de uso do solo que influencia diretamente o valor econômico da propriedade enquanto ativo agrícola. Em um mercado cada vez mais profissionalizado, o manejo adequado passa a integrar a equação que define risco, retorno e valorização da terra no longo prazo. Nesse contexto, a escolha de fornecedores de sementes com bom material genético e foco em eficiência agronômica, como a Sementes Lopes, torna-se um componente decisivo desse processo.


Referência: Agro Estadão

 
 
 

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